Substrato

© Carol Costa/Minhas Plantas

Ficar preso em casa, reclusão, quarentena, confinamento, não importa como é chamada essa temporada. Para evitar a propagação do Covid-19, muitas pessoas ficarão em casa o maior tempo possível. Adultos trabalharão no modo home office, crianças não irão às escolas e idosos permanecerão em seus lares. Mas, como diz nossa jardineira Carol Costa, uma casa só é um lar sem tem plantas. Para dar uma mãozinha e ocupar a mente de uma forma saudável e harmônica, Carol preparou uma lista com 110 atividades de jardinagem para fazer no confinamento contra o coronavírus. Diariamente, os posts são publicados no Instagram @MinhasPlantas e também aqui, no site. Nossa louca das plantas traz dicas de jardinagem e de como manter a sanidade nesses tempos tão difíceis – afinal, a esperança é verde! Para compartilhar esse post por Whatsapp, clique aqui

Para facilitar, clique em uma das atividades.

#01 - PODAR O CAUDEX DA ROSA-DO-DESERTO
#02 - REMOVER AS FOLHAS SECAS
#03 - TRANSFORMAR EMBALAGENS FLEXÍVEIS EM VASINHOS
#04 - FAZER SUA PRÓPRIA PAZINHA DE JARDINAGEM
#05 - PROVAR FLORES COMESTÍVEIS
#06 - TIRAR MUDA DAS SUCULENTAS
#07 - ARRANCAR MATO DE VASOS E CANTEIROS
#08 - USAR BORRA DE CAFÉ COMO SUBSTRATO
#09 - JUNTAR PLANTAS EM VASOS E JARDINEIRAS
#10 - FAZER SACHÊS ANTI TRAÇAS
#11 - BAIXAR O E-BOOK DO MINHAS PLANTAS COM DESCONTO
#12 - CUIDAR DO ANTÚRIO COMO UM PROFISSIONAL
#13 - ADAPTAR O SUBSTRATO À NECESSIDADE

#01 - PODAR O CAUDEX DA ROSA-DO-DESERTO

Aproveite que estamos na Lua Minguante até segunda-feira e corte baixo os ramos da sua rosa-do-deserto. Use uma tesoura de poda bem afiada ou uma boa faca de cozinha pra fazer um corte limpo, sem ficar "mastigando" o caudex (nome especial do "tronquinho" dessa planta). Faça o corte na diagonal, sempre inclinado pro lado oposto ao de um "olhinho" ou gema, pra evitar que acumule água onde a planta vai rebrotar. Passe canela em pó, extrato de própolis ou carvão em pó na parte machucada, pra ajudar a cicatrizar mais depressa e evitar que entrem fungos e bactérias pelo corte. Mantenha o vaso torraaaaaaando no SOL FORTE, que essa planta não chama "do-deserto" à toa, precisa de oito horas de sol por dia pra ficar bem bonita e florir muito. Se podar agora, sem dó, em um mês os brotos já terão surgido e até o final do outono ela estará com a copa mais cheia. Pra quê podar? Rosa-do-deserto só produz flor nas pontas dos ramos. Quanto mais compridos e pelados eles ficam, menos flores ela dá. Quando você poda, a planta multiplica os ramos e gera novas brotações e flores. Esta rosa-do-deserto enoooorme aí da foto do topo, atrás de mim, só está grande desse jeito porque o pessoal da Área Verde vive podando a moça. Aqui, na ficha da planta, tem dicas de como fazer o levantamento de raízes, outra técnica muito procurada pelos amantes de rosa-do-deserto. Clica aqui pra ver a galeria de rosas-do-deserto na produção do Terra Viva, em Holambra, uma planta mais linda que a outra!

#02 - REMOVER AS FOLHAS SECAS

Mesmo planta de vida longa, chama tecnicamente de "perene", não tem folhas eternas. Algumas espécies renovam a folhagem mais rápido que outras, umas ficam peladinhas em alguma estação do ano (oi, ipês e jasmins-manga?), mas mesmo aquelas mais resistentes, uma hora ficam com folhas amareladas, que vão enferrujando lindamente até secar e cair. Olha essa alocásia "Black Velvet" aí da foto, produzida por Acosta Plantas Ornamentais, e me diz se mesmo com folha amarela ela não parece uma perfeição da natureza? Se sua planta está produzindo novas folhas saudáveis, entenda que essa renovação é absolutamente normal e bela: as mais antigas caem aos pés da planta e, mesmo nos últimos suspiros, ainda têm serventia pra verdinha, protegendo o solo do sol forte e da desidratação, servindo de comida pros bichinhos da terra, que vão transformar o pouco que há de nutriente ali em... adubo pra planta viva. Ói que ciclo mais redondinho? Daí que você pode remover essas folhas secas e picá-las miudinho, ou esmagá-las com as mãos se estiverem bem crocantes, pra dar um efeito mais bonito ao vaso e ajudar a planta que mora ali a gastar energia fazendo folhas e flores novas. Se tiver muita folha na sua casa, vale pensar em uma composteira: elas entram como matéria seca pra equilibrar todos os resíduos úmidos que saem da sua cozinha (use sempre duas partes de folhas ou qualquer outra palha seca pra cada uma parte de sobras úmidas). Cobrindo vasos e canteiros, folhas secas e outras palhinhas trazem muitos benefícios: evitam pragas, controlam a umidade e temperatura da terra, impedem aquela lambança no chão depois de uma chuva, atraem insetos benéficos, seguram o adubo no solo. Na foto acima, mostro outros tipos de palhas. Quer conhecer mais sobre palhinhas protetoras? Clique aqui e veja o dossiê completo sobre mulching e como utilizar folhas secas.

#03 - TRANSFORMAR EMBALAGENS FLEXÍVEIS EM VASINHOS

Manja o pacote de café, que tem um lado aluminizado? Sabe aquele tipo de saco mais durinho, no qual vêm alguns grãos e farinhas? Ou ainda a caixinha de suco (que leva plástico, papel e alumínio), a embalagem da bolacha, a sacola de plástico mais grosso do shopping? Há uma infinidade de tipos de plástico na sua casa — e praticamente todos podem virar vasos. Quanto mais firme o material, melhor, mas mesmo os fininhos, tipo plástico-filme, podem servir pra revestir internamente um outro saco que esteja muito furado ou cobrir um potinho pra fazer estufa de germinação. Este na foto é de um pacote de grão-de-bico, que eu consumo muito por aqui, mas uma boa olhada no seu lixo reciclável vai te render um monte de vasinhos moles (e eu ainda nem cheguei nas latas, garrafas, bandejinhas de isopor, caixinhas transparentes de uva e morango, nos milhares de Tuppeware que todos temos...). Além de tirar de circulação um produto que leva séculos pra se decompor, ao reutilizar nossa sucata diminuímos o lixo que produzimos, uma das coisas que compõe nossa terrível pegada ecológica. Aqui em casa, reciclamos o lixo muitos anos antes de ter reciclagem no prédio, então, foi fácil revirar minha caixa atrás de vasos improvisados. A verdinha da foto é um mini-singônio — esse é o tamanho adulto, dá pra acreditar? Essa miudeza é produzida por Atmosphera Plantas e Paisagismo, de onde vim semana passada, e faz parte de um lote de plantas que trouxe de lá e estão pedindo vaso. Bora revirar os recicláveis!

#04 - FAZER SUA PRÓPRIA PAZINHA DE JARDINAGEM

Minhas mãos são a ferramenta mais útil que eu tenho pra mexer nas plantas. Usava luvas nos meus primeiros vídeos, mas, depois que perdi o medo dos bichinhos do solo, passei a valorizar o tanto de informação que o tato transmite: pelo toque, sei quando a terra está molhada, seca ou encharcada, se o substrato é mais ou menos arenoso, se resseca depressa ou empoça água, sei até a qualidade do adubo orgânico ao sentir nos dedos os insetinhos que eventualmente surgem em solo fértil. Eu entendo quem não curta usar as mãos nuas na terra e não julgo. De fato, detona as unhas, resseca a pele e, mesmo tomando cuidado, pode ser que você esbarre em algum ser geladinho (ui! lesma!). Também pode ser muito mais higiênico e seguro mexer em vasos e canteiros usando pazinhas, mas como arranjar uma agora que você tá cheio de tempo e disposição e tudo tá fechado? Bora recortar sua pá! Olhe as fotos acima lado pra ver como essa pazica miudinha aí da primeira imagem surgiu de uma garrafa de sabão líquido. Há muitas possibilidades de cortes na internet, adapte pra embalagem que você tiver à mão — vale fuçar nos recicláveis do seu prédio, como eu fiz aqui. Não é super resistente, é claro, e o cabo fica um pouco curto, mas achei boa pra quem tem criança ou as mãos pequenas como as minhas. Passei o dia trabalhando com ela e a pazinha não arriou. Já as minhas costas, aiai... Você é do time do mão na terra ou prefere uma pazinha mão-na-roda?

#05 - PROVAR FLORES COMESTÍVEIS

Begônia, cravina, Sunpatiens, torênia e tantas, taaaaantas outras flores são também COMIDA. Algumas, como a begônia, da foto acima, têm gosto azedinho, bom pra fazer geleia ou acrescentar a uma salada com um queijo suave. Plantei esse canteiro de begônias, produzidas pela Flora Fujimaki, num dos episódios do Sob Medida, projeto que fiz pra STHIL, com a proposta de ser um jardim pra crianças e bichos. Begônias gostam de meia-sombra, especialmente se receberem o sol no período da manhã, e se adaptam bem a ambiente interno. Se seu filho, gato ou cachorro mordiscar a flor (ou qualquer uma das plantas desta galeria), fica sossegado que não faz mal — e já pode começar a coleção, porque todas as espécies de begônia têm flores comestíveis! Já as cravinas (na foto acima, você vê a variedade "Pink Kisses", muda produzida pela Bio Plugs e comercializada pela Flora Beijo) têm gosto ligeiramente amarguinho, como escarola, minha verdura preferida. Existem em uma enorme variedade de cores e alturas, sendo plantas de muita flor, ideais pra sol forte, mas em clima fresco, como o do Outono que acaba de começar. Na sequência, tem Sunpatiens, que é quase o oposto da cravina: embora também seja de sol forte, tem sabor doce, textura corcante, tipo alface, gosta de calor e muita, muita rega. Não confunda essa variedade com a Impatiens (que é de meia-sombra), com a maria-sem-vergonha (que é invasora) ou a vinca (que é tóxica se ingerida). Nas fotos abaixo, deixei a torênia e a onze-horas, ambas docinhas ao paladar. A primeira delas, produzida de sementes da Isla Sementes, faz bonito enfeitando bolos e sucos: tem torênia branca, roxa, rosa e pink, todas com as petalas aveludadas e porte muito baixinho, o que as torna ideais pra forração no sol forte. Já a onze-horas faz um tapetinho lindo e rasteiro, com uma infinidade de cores diferentes, pedindo também sol forte o dia todo e solo que fica seco periodicamente (oi, dedômetro?). Tem garden entregando planta, vaso, semente e insumos por motoboy, checa na sua cidade. Em São Paulo, a rede Shopping Garden leva até você o que precisar pro jardim (aqui tá faltando substrato, e aí?).

#06 - TIRAR MUDA DAS SUCULENTAS

Umas pegam pela folhinha, outras, por estaca de caule e há aquelas que só se reproduzem por sementes. Qualquer que seja a forma escolhida, multiplicar as suculentas é muito gostoso! Com paciência e cuidado, uma única planta pode se transformar em 20 outras, quase como mágica. Cada um tem seu jeito preferido de acordo com a suculenta escolhida. Eu gosto de enraizar as folhas numa bandeja rasa com areia úmida, pra ser mais fácil remover as mudinhas sem danificar as raízes. Na Swalmen Plantas Ornamentais, estufa na qual estou na primeira foto, há técnicas diferentes dependendo da estação do ano (se chove mais ou menos) e da planta (algumas variedades são mais delicadas que outras, como é o caso dessa Echeveria shaviana "Pink" que seguro na mão). Clicando aqui, as bandejas cheias de folhinhas são do Renascer Suculentas, onde aprendi muitos truques, como não tentar arrancar as folhinhas secas, mesmo que o broto pareça bem forte — melhor é tirar do berçário e passar pra vasinho individual só quando a muda tiver o tamanho de uma moeda de R$ 1. Nessa outra foto (clique aqui), outra técnica legal, mas nada rápida, é reproduzir por sementes: funciona melhor nos cactos e no verão do que nas outras suculentas ou no inverno. Aqui, o segredo é espremer bem as cápsulas de sementes numa folha de papel-toalha, pra tirar o máximo da melequinha que tem dentro e que dificulta a germinação. Na foto final dessa galeria, deixei um exemplo de suculenta que se reproduz mole, mole por brotos laterais: corte com uma faquinha afiada e pingue extrato de própolis na planta-mãe e na muda, pra acelerar a cicatrização. Se não tiver própolis, use pó de carvão ou canela em pó, que saem com as regas, mas quebram um galho. Algumas espécies não pegam fácil de nenhuma dessas maneiras, mas basta cortar o caule e espetar na terra arenosa que elas enraízam, como acontece com a ripsális ou a orelha-de-shrek. Dá ainda pra reproduzir usando os brotinhos que surgem nas folhas, caso de muitos Kalanchoe. A muda deve sempre ficar as primeiras semanas na claridade e ser acostumada, aos poucos, com mais sol, até que aguente pelo menos 4 horas de sol nas folhas. Vai ter suculenta pra dar e vender!

#07 - ARRANCAR MATO DE VASOS E CANTEIROS

Quebra-pedra e mãe-de-milhares nascem aqui quase por encantamento: é bobear um dia que já tem uma ninhada escondida nas frestas de um vaso. Essa quebra-pedra da foto (clique aqui) ainda está novinha e fácil de arrancar. Antes que dê semente, as ervas invasoras são mais rápidas de serem erradicadas, mas nunca o serviço é mole, já que as raízes são vigorosaa e se espalham por muitos metros. Como TUDO na natureza, não tem planta boa e planta má, é nosso olhar humano que enxerga as coisas 8 ou 80. A mesma quebra-pedra que eu não quero que nasça no meu vaso de orquídea Anacheilium bulbosum pode ser extremamente útil por aqui se meu marido tiver pedra no rim de novo. Pois é, essa plantinha e muitas do mesmo gênero, Phyllanthus, têm propriedades medicinais e vêm sendo estudadas no combate a males variados de icterícia a hepatite. Tiririca, que inferniza os donos de gramados, possui nas raízes um hormônio que estimula o enraizamento de estacas de outras plantas. Quanto mais se estuda sobre plantas, mas a Ciência descobre potenciais curativos onde a gente teima em ver só um mato insistente. Nessas horas, lembro de um professor de agricultura que comentava que "rosa brotando insistentemente em canteiro se tomate é praga", pra você entender como o que torna uma verdinha indesejada é sua insistência em nascer onde não foi chamada. ;) Enquanto ainda não se descobre o outro lado do Kalanchoe delagoensis, eu sigo recolhendo os brotinhos de mãe-de-milhares e devolvendo-os ao solo na forma de adubo laminar, batidos no liquidificador com todas as sobras da cozinha. Aproveitei pra renovar o substrato dessa orquídea, que estava há anos nesse vaso, mais sem nada do que com casca de pínus (que bom que ainda tenho meio pacote de substrato pra orquídeas da All Garden por aqui!). O que você faz com os matinhos que retira dos seus canteiros? Nasce muita quebra-pedra por aí?

#08 - USAR BORRA DE CAFÉ COMO SUBSTRATO

Muita gente ficou em casa com plantas, ideias, tempo e... sem substrato! Epa. Plantar sem vaso até tá fácil — tudo que é potinho já virou vaso aí que eu sei. Mas comquifais se falta não ONDE, mas NO QUE plantar? Calma que tem socorro chegando. Passei a tarde de ontem limpando 131 cápsulas de café pra retirar toooooda a borra. Também tenho cafeteira italiana com pó de café, que estamos recolhendo aqui em casa num pratão. Se você usa açúcar no pó, talvez não seja uma boa ideia plantar num substrato "doce" (menos pelas plantas, mais pelas formiguinhas), mas pra todo mundo que usa pó sem açúcar ou cápsula de café, a borra vira um substituto bom pra substrato. É temporário, claro: a sobra do café não tem praticamente nenhum nutriente, exceto um pouquinho de nitrogênio que nem dá pra chamar de adubo. E como é uma matéria orgânica ainda não decomposta, talvez junte um bolorzinho nooooooormal no seu vaso — não sofre, verdinho, que esse bolor NÃO FAZ MAL pra planta saudável. Aliás, repara na primeira foto. Olha bem de perto os pelotinhos que tirei das cápsulas: eu armazeno por meses aqui, embaixo da pia num saco escuro e fechado, de pro-pó-si-to pra ter esses bolorzinhos. Note como eles são amarelinhos (às vezes, cor de rosa, laranjas, esverdeados e azulados). Esses bolores coloridos são fungos benéficos, que AJUDAM as plantas. Funciona assim: eles comem o mesmo que os fungos de doença comem, açúcares simples que uma planta doente elimina pelas folhas, como se fosse um "suor" (ou "exsudato", se quiser um termo técnico apavorante). MAAAAAS, esses funguinhos não causam cercospora, botritis, antracnose ou outras doenças. Eles comem os açúcares quietinhos e não fazem nenhum estrago pra planta. O que o jardineiro esperto faz? MULTIPLICA esses caras! \o/ Entonces, bora usar esses bolorzinhos coloridos no substrato pra ter mais fungo amigo que inimigo e matar de fome os que causam doenças. Detalhe: isso não significa que você deve bobear na adubação, combinado? Amanhã te ensino a adubar com o que você tem aí, de bobeira, na cozinha. Gostou da dica? Compartilha este post!

#09 - JUNTAR PLANTAS EM VASOS E JARDINEIRAS

Se todo mundo gosta das mesmas quantidades de sol, de água, se curte crescer no mesmo tipo de substrato, deu match! Bora colocar num mesmo vaso ou jardineira as verdinhas parecidas entre si. Junte muitas suculentas , por exemplo, e exercite seu talento pra arranjos, tipo o que está no vaso Seixo da Vasart, na segunda foto, ou o do cachepô de metal da Floral Atlanta Decor, nessa foto (clique aqui). Também rola organizar plantas de sombra num mesmo cafofo, como o grupinho que criei nesse cachepô de palha de bananeira da Caldana Flores: aqui, na foto (clique para ver), dá pra vê-lo por cima e entender melhor a organização das plantas. Mesmo que seja num vaso pequeno, mantenha a lógica de montar em escadinha, criando VOLUMETRIA: no fundo ficam as plantas mais altas, no meio, as médias, à frente, as baixas, e o acabamento pode ser com espécies pendentes ou alguma forração decorativa (areia, pedrinhas, sementes, casca de pínus). No arranjo da foto acima, tomei o cuidado de escolher plantas de cores, tamanhos e formatos diferentes, pra dar mais bossa pro arranjo e torná-lo mais elegante. Ao fundo, tem mini-cóstus, depois, com a folha rosada, o singônio-rosa e no meio, cheio de pintinhas brancas, o mini-caládio, trio ternurinha que trouxe da Atmosphera Plantas e Paisagismo. Aproveitei que estou com pouco substrato pra plantar junto com a orquídea-pipoca, de folhas roxas e aveludadas e a Alocasia "Polly", com a folha bem estreitinha, ambas produzidas por Acosta Plantas Ornamentais, assim como a Peperomia puteolata, que uso no acabamento, fazendo um rabinho pra fora do arranjo. "Seis espécies juntas, não é coisa demais, Carol?" Olha, verdinho, arranjos são como hoteis: a gente curte ficar neles por um tempo, mas mesmo um hotel 5 estrelas nunca vai ser como a nossa casa, certo? Tanto arranjos de suculentas quanto os de folhagens são criados pra ficarem bonitos de seis meses a um ano. Depois desse período, as plantas crescem, estiolam, pedem espaço. Significa que vai morrer em seis meses? Não! Vai precisar de REFORMA: a gente corta o que cresceu, faz muda, tira uma coisa ou outra, renova o acabamento. Até lá, curta seu arranjo!

#10 - FAZER SACHÊS ANTI TRAÇAS

Quem tem horta em casa talvez já conheça os muitos usos das ervas medicinais nos chás: de hortelã, pra digestão, de camomila ou erva-doce, pra gastrite e refluxo, de lavanda, pra insônia, de quebra-pedra, pra problemas renais, de boldo, pra bebedeiras, de sálvia, pra asma, rinite, sinusite ou bronquite. A lista é enorme e, infelizmente, raramente tem acompanhamento médico, o que deveria ser praxe, mas quero chamar atenção aqui pra um uso das ervas que você NÃO precisa de confirmação médica. Algumas das mesmas plantas que nos protegem de tantos males são as mesmas que... protegem nossa casa de parasitas! Arruda, hortelã, alecrim e a malva-de-cheiro da foto são excelentes REPELENTES DE TRAÇAS. Aproveite pra colher um pouco das folhas e deixá-las secar por uns dias até que fiquem como as folhas marrons da foto. Na dúvida, amasse com as mãos: erva seca corretamente deve esfarelar e fazer um barulho bem crocante em vez de amassar. Dá pra secar ervas em casa à moda bruxa ou fada. Bruxa: faça um buquê, amarre e deixe de cabeça pra baixo, atrás de uma porta ou dentro do armário mais escuro. Fada: espalhe os ramos numa assadeira, cubra com papel-toalha, acrescente mais ramos bem espalhados, cubra com mais papel até fazer uma "lasanha" e deixe no forno DESLIGADO ou num local escuro. Repare que bruxas e fadas concordam que erva fresca preciaa sempre secar à sombra e longe sa umidade? Espertas as moças, afinal, desse jeito, a planta perde apenas água, e bem lentamente, preservando os óleos essenciais que nos fazem tão bem. Fiz uma super poda na malva-de-cheiro aqui e guardei vários buquês de folhas pra secar. Os ramos que já estavam secos, aos pés da planta, recolhi, triturei com as mãos, e fiz sachês pras gavetas de roupa, onde mantêm traças bem longe. Toda planta de cheiro forte faz isso, seja hortelã, alecrim, arruda ou qualquer outra que você tenha à mão. Se quiser deixar seu sachê mais turbinado, acrescente anis-estrelado e um pau de canela. Adeus, furinhos nas roupas!

#11 - BAIXAR O E-BOOK DO MINHAS PLANTAS COM DESCONTO

Muita gente tem me escrito pedindo dicas de cursos, mas com tudo fechado, o jeito é estudar à distância. Eu tenho feito Live-Aula no Instagram (clica aqui) todos os dias trazendo dicas de como plantar, mas, se você quer se aprofundar no assunto, vale ter o Minhas Plantas - Jardinagem para Todos (Até Quem Mata Cactos) à mão. Esse é o livro de jardinagem mais vendido no Brasil segundo a Amazon, já está na quarta reimpressão e segue ajudando milhares de verdinhos a largar a vida de planticídios e cuidar melhor das suas plantas. A versão impressa, em capa dura, custa R$ 109 e, neste momento, envolve tirar pessoas de casa pra fazerem o livro chegar até você. Deixe o carteiro fora de perigo e baixe a versão do livro em e-book, que normalmente já é mais barata e, agora, com um desconto de 30% que eu batalhei na editora, tá saindo por R$ 31,43 no site da Amazon (use o cupom de desconto CAROLCOSTA30). Vou deixar link pra ir direto pra página nos Stories e na bio. Pra quem já tem o Minhas Plantas, sigo aqui, trazendo ideias de jardinagem e técnicas de agricultura caseira todos os dias. Por falta de conteúdo ninguém fica sem plantar! Ah, na última foto dessa galeria (arraste as fotos pra esquerda) você verá um ângulo diferente da foto da capa do livro, comigo de vestido sujo de substrato, segurando uma Calathea orbifolia na mão.

#12 - CUIDAR DO ANTÚRIO COMO UM PROFISSIONAL

Rei das flores de ambiente interno, o antúrio reina em nossos lares há tanto tempo que chega a ser curioso o pouco que as pessoas sabem sobre ele. Não, antúrio não dá em árvore nem é afrodisíaco, como deu a entender o personagem interpretado por Fábio Jr., numa novela da Globo, décadas atrás. A "flor de Jorge Tadeu" podia até levar as mulheres a terem sonhos eróticos na ficção, mas, vida real, se você ou seu bicho de estimação botarem antúrio na boca podem ter uma séria intoxicação. O que as pessoas chamam de "flor" também não é bem assim: a parte colorida do antúrio é uma folha especial, que a planta desenvolveu pra chamar a atenção pras verdadeiras flores, umas coisinhas minúsculas enfileiradas naquele rabinho característico do antúrio. Quando estão soltando pó, as flores podem ser polinizadas na mão, basta acariciar a inflorescência com os dedos ou um pincel. Depois de algumas semanas, esse rabicó vai ficar com verrugas, sinal de que você conseguiu polinizar a planta e ela produziu sementes. É curioso e divertido fazer isso, mas, se quiser tirar mudas do seu antúrio, a forma mais simples é dividir a touceira: mostro o jeito certo no vídeo mais recente do Minhas Plantas, que gravamos depois de aprender os detalhes do antúrio com van Vliet, um dos maiores produtores dessa flor em Holambra. Clica aqui pra ver o vídeo. Esta é uma ótima época do ano pra multiplicar seus vasos de antúrio porque a temporada de chuvas deu uma trégua e o risco de as plantas melarem fica bem mais baixo. No vídeo também mostro os principais problemas que você pode ter com essa flor linda, super diversa e altamente adaptável pra dentro de casa, capaz de aguentar até mesmo ambiente com ar condicionado.

#13 - ADAPTAR O SUBSTRATO À NECESSIDADE

Substrato é o termo técnico pra nomear aquilo no que uma planta é plantada. Pra uma orquídea de árvore, casca de pínus pode ser um ótimo substrato, mas pra um cacto, o substrato perfeito tem bastante areia. Já o produto vendido como "terra vegetal" ou "terra preta" é o substrato pra mudas mais comum e um dos mais abrangentes, no qual plantamos quase tudo, de horta a árvore. O que vem dentro do pacote, no entanto, varia IMENSAMENTE de acordo com cada fabricante. Pode incluir um ou muitos desses ingredientes (e ainda muitos outros): areia, turfa, húmus de minhoca, terra comum, composto orgânico, casca de pínus, pó ou fibra de coco, folhas secas e até mesmo "lodo orgânico de uso autorizado pelo órgão ambiental" (pasme!). Com tanta variedade, é natural que a cabeça dê um nó, então, tô aqui pra te mostrar a LÓGICA por trás do substrato, pra que você consiga manipular o material que tem em casa, pensar em substituições e, principalmente, adaptar o substrato pras necessidades de cada planta. Primeira coisa a saber é que quanto maior o grão, menos água ele guarda. Ingredientes pedaçudos, como brita, rolha, carvão em pedaços e argila expandida, por exemplo, não chupam praticamente água nenhuma, mantendo o substrato mais seco do que um beeeeem fino, como pó de coco, carvão em pó ou borra de café. Geralmente, o que é mineral (pedra, barro, areia, isopor) segura menos água do que aquilo de origem vegetal (folhas, cascas, sementes), mas há exceções. Bucha de cozinha, sintética ou vegetal, retém umidade, assim como turfa e esfagno. Embora seja mineral, a vermiculita estufa 5 vezes seu tamanho depois de molhada, enquanto as conchas, que são de origem animal, costumam manter o solo seco. Na ordem da galeria (arrasta as fotos pra esquerda), está a caixinha completa, materiais alternativos, substrato All Garden, turfa, vermiculita, perlita, seixo, areia grossa, fibra de coco e esfagno. Aqui tem um álbum e preparei um texto completão aqui, pra você poder consultar sempre que precisar de alguma substituição. Importante: embora o substrato possa ter um pouco de adubo, os dois são coisas diferentes.

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