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Orquídeas, as rainhas da mentira

© Carol Costa/Minhas Plantas
Cartola tinha razão quando cantava que "as rosas não falam" – só que o compositor carioca esqueceu de dizer que elas não se contentam em simplesmente exalar "o perfume que roubam de ti". Toda flor nasceu para mentir e ludibriar. Orquídeas, então, nem se fala, são as rainhas da enganação.

Para atrair o polinizador certo, as orquidáceas podem ter cores chamativas, labelos que lembrem insetos, pétalas perfumadas e até mesmo comestíveis, como é o caso do Cymbidium serratum. Nativa da China, essa espécie é alimento de um camundongo (Rattus fulvescens): enquanto ele devora a flor, esbarra nos grãos de pólen e os carrega para outro C. serratum, realizando a fecundação. A orquídea pode até ter sido sacrificada, mas sua próxima geração, não.

Perfumes e formas que imitam insetos


Dentre os gêneros que mais iludem os polinizadores estão as flores de Ophrys, não à toa chamadas popularmente de "orquídeas-abelhas". Típicas da Europa, essas orquídeas têm labelos que copiam quase à perfeição o corpo das vespas que as polinizam. Não bastasse tal artimanha, as Ophrys ainda produzem um ferormônio idêntico ao que as abelhas fêmeas exalam para atrair os machos. Pronto, está montada a farsa que ajudará as orquídeas a levar seu pólen a flores que estão distantes até vários quilômetros.

Outro grupo bastante famoso na arte de enganar é o dos Bulbophyllum. A cor das flores, seus pelos e o cheiro de carniça que elas têm fazem a mosca-varejeira achar que encontrou o lugar perfeito para botar seus ovos. Depois de perambular pela planta atrás da carne podre que vai alimentar seus filhotes, a mosca desiste – mas até que isso aconteça, ela andou tempo o bastante para ajudar a produzir os "filhotes" do Bulbophyllum.

Se você ainda tem alguma dúvida do "cinismo" das orquídeas, aqui vai o caso mais extremo de uma planta sacaneando seu polinizador. À primeira vista, o gênero Coryanthes tem flores de aspecto bizarro, mas uma olhada mais atenta mostra que as pétalas e o labelo foram modificados para formar um "laguinho" de óleos aromáticos muito atrativo para as abelhas Euglossini. Ao cair no líquido, o inseto se vê obrigado a rastejar por um dreno estreito – justamente onde estão escondidas as polínias. Se o inseto for muito pequeno, acaba morrendo afogado. Se for grande demais, idem. Para evitar equívocos, a Coryanthes tem uma espécie de "toldo", que ao mesmo tempo esconde o "laguinho" e também protege o líquido da chuva, que poderia diluir os óleos, revelando a armadilha para as Euglossini.

Coevolução - quando o os dois evoluem juntos


Como se vê, tudo é feito tão sob medida que fica difícil saber quem veio primeiro, se a planta ou seu polinizador. Os botânicos trabalham com a ideia de coevolução, onde os ajustes de um e de outro lado teriam ocorrido gradual e simultaneamente. Aliás, foi essa a conclusão a que chegou o naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882) ao estudar a orquídea-cometa (Angraecum sesquipedale). Ele estava intrigado em saber porque a espécie tinha um nectário tão longo, uma raridade entre as orquidáceas. Décadas depois de sua morte, os cientistas descobriram que o Angraecum é polinizado por uma mariposa que tem uma língua (o "probóscide") de 20 cm, o tamanho exato do nectário de A. sesquipedale. Trata-se da mariposa Xanthopan morganii praedicta, que precisa colar seu corpo à flor para alcançar o líquido açucarado que fica no fundo do nectário e, assim, esfregar na coluna os grãos de pólen de outro Angraecum, promovendo a reprodução da planta. Uma encenação tão bem feita que levou mais de 130 anos após a hipótese levantada por Darwin para, de fato, ser revelada. Que as mariposas não nos ouçam, mas elas vêm sendo "usadas" todos esses anos.
postado em 11/09/2017 - Leia mais
© Carol Costa/Minhas Plantas

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