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Aniversário do nascimento de Manequinho Lopes

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Você nem precisa ser um grande estudioso de plantas para já ter ouvido falar em Manequinho Lopes – basta ter pisado alguma vez na vida no Parque Ibirapuera, onde está localizado o viveiro que leva o nome desse importante entomologista brasileiro. Mas, peraí, entomologista não é quem estuda insetos? Pois é. Manuel Lopes de Oliveira Filho (1872-1938) se transformou num dos nomes mais importantes do paisagismo urbano brasileiro graças a aranhas, besouros e formigas.

Amigo de Monteiro Lobato, Manequinho estudou na Suíça, França e Alemanha dos 10 aos 21 anos, voltando da Europa em 1893. Começou a carreira no Instituto Biológico de São Paulo, tornando-se um dos mais procurados especialistas em pragas do país. Ajudou a combater saúvas no Rio de Janeiro, brocas nos cafezais de São Paulo e lagartas em algodoais do Paraná. Graças em parte a seu trabalho, hoje podemos ver árvores saudáveis compondo o cenário de muitos pontos turísticos, como a Floresta da Tijuca, o Horto Florestal do Rio de Janeiro e, evidentemente, o Parque do Ibirapuera.

Por 20 anos escreveu a coluna Assumptos Agrícolas para o jornal O Estado de S.Paulo, uma seção que era referência para os agricultores do estado e que daria origem, em 1955, ao Suplemento Agrícola. Curiosamente, assinava os textos apenas como Oliveira Filho, por detestar o apelido que lhe consagrou, segundo explica a artista plástica Silvia Valentini em artigo sobre a biografia do entomologista.

Por meio desses artigos, Manequinho estimulava os produtores a plantar palmitos, cinamomo e outras espécies até então pouco exploradas no Brasil, oferecendo sementes aos leitores que escrevessem para o jornal, numa bem sucedida parceria com o Posto Zootécnico da Indústria Pastoril da cidade.

Em 1927, já diretor da divisão de Matas, Parques e Jardins da Prefeitura de São Paulo, Manequinho determinou a construção de um grande viveiro numa região cheia de charcos e córregos na Vila Clementino. Conhecida por "ypy-ra-ouêra" ("pau-podre", em tupi), a área vinha sendo plantada com eucaliptos, árvores capazes de absorver uma parte da umidade excessiva do solo. Aos poucos, outras espécies foram sendo trazidas para o que, hoje, conhecemos como Parque Ibirapuera, maior área verde da capital: além de ipês, plátanos e magnólias, também mudas de canela, tipuana, pau-brasil e pau-jacaré passaram a preencher as alamedas.

Em 1938, com a morte de seu idealizador, o viveiro foi batizado de Manequinho Lopes, mas o parque, tal qual o conhecemos hoje, só foi entregue em 1954, durante as comemorações do aniversário de São Paulo.

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Aniversário do nascimento de Manequinho Lopes

Data 14/03