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Aniversário do nascimento de Ana Primavesi

© Divulgação
Ana Maria Primavesi é um nome que qualquer estudante de agronomia pronuncia com reverência. De fato, a austríaca que transformou o Brasil em lar é a grande papisa da agroecologia e permanece, aos 95 anos, uma das vozes mais coerentes nesse universo.

Quando mal se falava em alimentos sem pesticidas, Ana criou a Associação de Agricultura Orgânica (AAO), instituição que cada vez ganha mais destaque no Brasil dada a crescente desconfiança com a qualidade do que comemos. Isso por que grão, frutas, verduras e legumes – cultivos produzidos com as mais modernas tecnologias – alimentam menos do que o faziam 50 anos atrás. São menos nutritivos, mais contaminados, vêm de plantas mais frágeis e destroem cada vez mais o solo. Como essa inversão aconteceu?

Formada na Escola Rural de Viena, Ana veio para o Brasil com o marido, Artur Primavesi, em 1949. Ambos agrônomos, trabalharam atendendo de pequenos sitiantes a grandes fazendeiros, sempre observando a profunda relação entre a cultura e o solo. Tanta experiência vem sendo compartilhada tão logo Ana aprendeu o português: ao todo, são 12 livros publicados, quase 100 artigos acadêmicos e mais de 500 palestras em vários países da América Latina.

Ana sempre se preocupou com a qualidade do que comemos. Em seu livro Manejo Ecológico do Solo, publicado em 1979 e até hoje uma obra de referência na área, ela explica como um solo saudável vem do equilíbrio entre plantas, microorganismos e seres humanos. Fala, ao contrário do que ainda pregam os catedráticos, que uma planta precisa de 45 nutrientes para se desenvolver – e não apenas de nitrogênio, fósforo e potássio. E que um solo doente produz alimento de baixa qualidade nutricional, ainda que os frutos pareçam grandes e bonitos.

Para se entender a força de Ana, leve em consideração que ela é uma mulher franzina, estrangeira, falando sem o menor constrangimento que grandes fazendeiros estão fazendo tudo errado – e isso nas décadas de 50 e 60, no auge da Revolução Verde proporcionada pelo uso intensivo de agrotóxicos na lavoura. Mesmo discursando para uma plateia exclusivamente masculina, Ana não se intimidava: ouvia o lavrador, o tratorista, o irrigador e, quando ainda assim lhe parecia que todos tinham algo a esconder, saía pelo campo arrancando repolhos e colmos, lendo nas raízes a verdade. Sob muita desconfiança, recomendava sua cartilha de tratos culturais e manejo do solo, explicava sobre regas e adubação e ia embora para, dali alguns meses, receber elogios e agradecimentos dos produtores, espantados com colheitas mais fartas.

Que sorte a nossa ter Ana Primavesi entre nós.

efeméride

Aniversário do nascimento de Ana Primavesi

Serviço Aniversário do nascimento de Ana Primavesi
Data: 03/10
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